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História da Villa Moraes

Escondida por frondosas árvores quase tão antigas quanto o palacete, a Villa Moraes é um exemplar notável de arquitectura dos chamados “torna viagem” e encerra um magnífico e valioso património arquitectónico e artístico que foi alvo de uma recente recuperação. Foi, por isso, o espaço eleito para acolher alguns dos mais importantes eventos da História local, de onde se destaca a recepção de ilustres figuras como o Presidente da República Brasileira, Francisco de Paula Rodrigues Alves (o primeiro político a ser eleito duas vezes Chefe de Estado do Brasil) e as comemorações do centenário do nascimento do poeta e diplomata António Feijó.


Data de 1892 a criação da Quinta da Villa Moraes, edificada a partir da aquisição do Pomar do Marquês de Ponte de Lima e de parte da cerca do extinto Convento de Santo António dos Frades dos Capuchos. Adquirida por João Rodrigues de Morais, regressado do Brasil onde tinha feito fortuna, a vivenda e jardins começaram a ser erguidos nesse mesmo ano e, segundo informações recolhidas “o projecto do palacete Moraes de Ponte de Lima teve por base o do irmão Miguel Francisco Rodrigues de Moraes, na cidade de São Salvador da Baía”. A Villa Moraes de Ponte de Lima é, por isso, muito semelhante a um palacete brasileiro mas, na realidade, distingue-se pelo seu rasgo único que nomes como o do arquitecto António Tomás Ferreira Cardoso lhe proporcionaram.


A vivenda novecentista com traços do Neoclassicismo está classificada como Imóvel de Interesse Público e as suas paredes albergam obras dos melhores artistas da época como comprovam as pinturas interiores, que são hoje um espólio arquitectónico único e que foram assinadas por Alves Cardoso, José Campas e António Carneiro. E o desenho original da Villa Moraes apenas foi alterado nos anos 20, cujos aumentos marcam igualmente a época vintista que Portugal adoptou.


Entretanto, e ao longo do tempo, a Villa Moraes albergou escolas e um pólo de uma universidade, tendo sido alvo de uma recuperação integral que decorreu entre 2003 e 2004, período em que o palacete foi sujeito a um trabalho exaustivo de recuperação, assim como os seus jardins, espaços dignos de destaque pelas várias espécies florestais raras e um conjunto de lagos, grutas e estufas de Inverno.